Apesar de grande parte das pessoas acharem que o movimento sindical atua somente nas questões trabalhistas, nossa missão vai muito além. É nosso dever atuar nos interesses tanto coletivos como individuais dos trabalhadores, no âmbito profissional e social. É função constitucional dos sindicatos melhorar as condições de vida e trabalho.
Por isso, quando se aproxima o Dia Internacional da Mulher foco minha mensagem na gravidade da situação que vivem as mulheres hoje por conta do crescente número de feminicídios. Os casos de feminicídios no Brasil atingiram números recordes em 2025, totalizando 1.518 vítimas. São quatro mulheres mortas por dia. O número total do ano passado superou os 1.464 registrados em 2024.
Além dos assassinatos houve aumento significativo nas tentativas, perseguição a mulheres (“stalking”) e violência psicológica. Na prática, todos os números, infelizmente, indicam uma tendência de alta contínua. O machismo estrutural e a violência doméstica são as causas principais destes lamentáveis acontecimentos, sendo os crimes cometidos majoritariamente dentro de casa por parceiros ou ex-parceiros.
O endurecimento da lei do feminicídio, que completou 10 anos, não tem dado o resultado esperado, embora os julgamentos e penalizações tenham aumentado. Nesta situação, é fundamental a mulher não aceitar nenhum tipo de violência e denunciar. Nas nossas convenções coletivas de trabalho estamos gradualmente incluindo cláusulas protetivas e mantemos portas abertas para receber denúncias e atuar na defesa de mulheres agredidas física ou moralmente. A mulher não pode se esquecer que as nossas conquistas são resultado da coragem em desafiar o impossível. Não é impossível combater o feminicídio!
Helena Ribeiro da Silva
Presidenta do SEAAC de Americana e Região


